quinta-feira, 26 de novembro de 2009

São Paulo e a Caravana do Cordel

"São Paulo e o cordel
A semana passada estive em São Paulo por 5 dias para inteirar-me do movimento, que virou escola, Caravana do Cordel. Diante desses empreendimento de poetas cordelistas em torno do seu principal produto cultural, o cordel, tudo parece pequeno. A produção continua firme, as publicações também. As editoras aos poucos estão abraçando a causa. E os meios de comunicação, decobrindo o material. Aliás, ontem, dia 26, foi para o ar pela Rede Internacional de Televisão, a RIT, da Igreja da Graça, do missionário R.R. Soares, matéria no Nosso Programa, programa de variedades, à tarde com os cordelistas João Gomes de Sá e Varneci Nascimento. Esse fato é pontual na história do cordel. Foi alvissareiro ver na tela imagens do cordel Homossexualidade: história e luta, de Varneci e Nando Poeta. Bem como Os dez mandamentos do preguiçoso, do mesmo Varneci. A Caravana está forte e crescendo.
Desse encontro surgiu a palestra sobre Leandro Gomes de Barros, no dia 19, para uma plateia de cordelistas e músicos. No meio deles achava-se Gregorio Nicoló, dono da Editora Luzeiro, a mais antiga casa de publicação de cordel no Brasil e uma das primeiras editoras de São Paulo. Gregorio tem sido peça chave na consolidação do cordel publicando autores novos e consagrados e recebendo com rara sensibilidade estudiosos que queiram olhar o seu acervo. Desse nosso encontro saiu a parceria para novos empreendimentos em termos de publicação de Antologias de cordel.
Passei, ainda, na Editora Nova Alexandria, na qual trabalha o poeta Marco Haurélio, figura ao redor da qual se construiu a Caravana. Marco é curador da já afamada coleção Clássicos do Cordel. É um homem cuja pena de poeta complementa o tino de pesquisador e a visão de mercado. Acabou de publicar pela Paulus a Lenda do Saci Pererê, em cordel, com ilustrações da pernambucana Elma. Uma edição magnifica, de luxo. Veio juntar-se a O príncipe que via defeito em tudo, publicado anteriormente pela Acatu, com ilustrações de Nireuda Longobardi.
Além dos consagrados tive a oportunidade de travar amizade com Pedro Monteiro, cordelista estreante autor de Chicó, o menino das cem mentiras, quando retoma o personagem clássico do cordelismo brasileiro, menos conhecido do que seu parceiro João Grilo, mas tão importante quanto. Pedro Monteiro é um autor síntese cuja produção é regida pela pesquisa e pelo rigor. Apesar de estar começando, seu traço poético deixa entrever um futuro promissor. Começar no mundo do cordel com Chicó é ousadia e conquista.
Outro de quem me acheguei foi Nando Poeta. Já com alguns títulos no matulão, Nando é o poeta engajado. Ativista político, trouxe para o cordel as lutas sociais. Assim seus folhetos 1º de maio, Assédio moral é crime e Educação não é mercadoria preenchem uma lacuna, sem se despedir do essencial no cordel: a poesia. Alertado para o fato de não cair no panfletarismo, Nando busca o equilíbrio entre o lírico e o épico. Mas é necessário andar devagar para dosar as cores sem exageros.
No dia 19, quando de minha palestra, foi lançado um cordel de Benedita Delazari intitulado A escravidão negra e o quilombo dos Palmares, com ilustração de capa de Cícero Soares. Em duas cores, preto e marrom, esta capa impressiona pela maestria, colocando por água a tese de que o cordel tem que ter obrigatoriamente uma capa de xilogravura. Em tópicos futuros apresentarei um por um esses cordeis e falarei mais dos cordelistas em São Paulo, disputando a vanguarda com o Ceará. Vanguarda que já foi paraibana, mesmo produzida a partir de Recife. Outra história."


Trecho extraido do blog: http://adercego.blogsome.com/

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"Doutor Aderaldo
Aderaldo Luciano, paraibano radicado no Rio de Janeiro, pesquisador, professor, músico e poeta, agora é, também, doutor. Doutor em Literatura. E, mais: sua tese vai na contramão dos estudos sobre o cordel, os antigos e os “mudernos”, ancorados em argumentos frágeis, pouco criteriosos, desrespeitadores da individualidade poética, responsáveis pelas paliçadas erguidas entre uma suposta literatura erudita e a – assim chamada – popular.
Parabéns, mestre, ou melhor, doutor! "

Marco Haurélio, poeta e curador da coleção Clássicos do Cordel, da Editora Nova Alexandria.

"Procure o Doutor:
Agora temos um doutor paranos “receitar” preventivamente e medicar umas “meisinhas” para curar alguns delizes no universo cordeliano.E aí vai: como uma manifestação literária genuinamente brasileira,desprezada pela cultura acadêmica, denominada gênero nemor ou subliteratura ou ainda manifestação marginal em verso é tão popular?Agora, requer, em verdade, um amplo debate, simpósio, fórum para aparelharmos com fundamentação as nossas ideias e teses.Um abração para o Cangaceiro Doutor ouDoutor Cangaceiro da Serra da Borborema!Parabéns!"
João Gomes de Sá, poeta e dono da cultura em Guarulhos-SP

"Sou potiguar e um curioso sobre a literatura de cordel. Aliás, também colecionador. Já acompanhei Aderaldo Luciano em duas edições do programa “De Lá Prá Cá”, da TV Brasil: Mestre Vitalino e Patativa do Assaré. Boas intervenções.Espero que em breve, essa tese seja transformada em livro, para o devido acesso ao seu precioso conteúdo.Parabéns! "
Carlos Alberto, cordeleiro de Natal-RN

"Aderaldo Luciano, como simples aprendiz da poesia de cordel, apenas quero lhe agradecer pela grande contribuição que você veio nos trazer. Certamente sua tese de doutoramento vem para corrigir muitas distorções sobre o cordel, pois não são poucos os equívocos que vemos por aí. Assistindo sua palestra, há um ano, em Guarulhos, no primeiro Salão do Cordel, pude ver seu grande conhecimento, e sei que não é diferente a sua tese. Estou ávido por lê-la. Bem vindo, poeta doutor, ou doutor poeta, saiba que você encontra em nós cordelistas verdadeiros irmãos. Parabéns por mais essa conquista!"
Varneci Nascimento, poeta maior da Ordem Franciscana Menor, de São Paulo

"Passe para frente o seu
Valioso aprendizado.
Não retenha este poder
Pra não ser penalizado,
Com a dor na consciência
Vendo o povo atrasado.
Parabéns poeta Doutor.
Que os horizontes se alarguem, e até o debate se acalore! Mas a sede do aprender, possa ser saciada."
Pedro Monteiro, a pedra angular da poesia, de São Paulo.

Eu conheci Aderaldo, no dia da homenagem a Leandro e tive o prazer de tomar um café com ele e outros amigos cordelistas, na galeria Califórnia do centro de Sampa.
Fiquei encantado com a palestra do Doutor em literatura e com o seu interesse, no que se refere ao futuro da Caravana do Cordel e os seus objetivos. Faço minhas todas as palavras dos meus confrades, acima.
Josué G. de Araujo

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