domingo, 8 de maio de 2011

Peleja de Arievaldo Viana e Josué de Nazaré










Arievaldo Viana:

Sou feijão com rapadura
Sou cabra de Virgulino
Sou peralta e sou malino
Canela de saracura
Sou farnisim, sou gastura,
Menestrel e trovador
Doutor Raiz, rezador
Poeta nenhum me vence
Sou matuto cearense
Cabôco véi sonhador.

Josué de Nazaré:

Sou Josué Araujo,
Cordelista de bancada,
Mas não faço embolada.
Sou baixinho enfezado,
Porém, sou cabra educado.
Sou filho de nordestino,
Sou homem, não sou menino,
Na arte de menestrel,
Não escolhi o cordel,
Isso é coisa do destino.

ARIEVALDO VIANA:

Sou do Quixeramobim
Me criei no Canindé
Digo ao Vate Josué
Que também gosta de mim
Dom de poeta é assim
Fraterno e revelador
Agradeço ao Criador
Que deu-me tino e "NON SENSE"
Sou matuto cearense
Cabôco véi sonhador.

O poeta Josué
Deu lição de português
Por isso digo a vocês
Que é um vate de fé
Solto fogos, buscapé
Para um bardo de valor
Poeta, declamador,
Sua arte nos convence!
Sou poeta cearense
Caboco véi sonhador.

Josué de Nazaré:

Fui matuto do oeste,
Lavrador e bóia-fria.
Lutava com valentia.
Um dia escrevi cordel
Numa folha de papel,
Amassei e joguei fora
Pensando em ir embora,
Trocar toda aquela lida
Por outro estilo de vida,
Nos palcos do mundo afora.

Tornei-me então um poeta
Um poeta cordelista.
Nada a ver com repentista!
Não sou improvisador
E também não sou cantor.
Eu primo pela excelência
Sob a forte influência
Dos livretos de cordel,
Essas folhas de papel
Que tem toda uma ciência.

Matuto e cearense
Cabôco véi sonhador,
Poeta declamador,
Arievaldo é emoção!
Nas escolas do sertão,
Orienta a juventude
Pra tomar uma atitude
De aprender nosso cordel,
Cada um ser menestrel
Dedilhando um alaúde!

ARIEVALDO VIANA:

Não invejo Patativa
Catulo, nem Zé Limeira
Se for pra escrever "besteira"
Minha memória é ativa
A musa nunca me priva
Me dá asas de condor´
Para mostrar o valor
do estro que nos pertence
Sou matuto cearense
Caboco véi sonhador.

Levo cordel para escola
Não para formar poetas
Mostro rimas, traço metas
Dando trato em minha bola
Quem vai por minha cachola
Vai se tornar bom leitor
Na certa admirador
Do espírito cordelense
Sou matuto cearense
Caboco véi sonhador.

Josué de Nazaré:

Cabôco véi sonhador
Matuto e cearence,
Tu é bom, mas não me vence.
Não dou mole a coronel
Nos meus dramas de cordel,
Só não prendi cangaceiro,
Mas nesse sertão inteiro
Perscrutei toda a caatinga,
Desfazendo até mandinga
Nas cenas do meu roteiro.

Vou contar-lhe meu confrade,
Que eu já fui um pescador
E também um caçador.
Já cacei onça no mato
Tirando o couro no ato;
Amansei burro selvagem
Com toda a minha coragem;
Já peguei cobra com a mão
Desconjuntei-a no chão,
Do jeito que os bravos agem.

ARIEVALDO VIANA:

Não gosto de pabulagem
Eu quero é verso bem feito
Boto a viola no peito
E não me falta coragem
No princípio da viagem
Não insulto o companheiro
Eu só viro cangaceiro
Se pisarem nos meus calos
E motor de cem cavalos
Não segue no meu roteiro.

Eu defendo o meu poleiro
Pois sou um galo de rinha
Também gosto de galinha
Persigo só pelo cheiro
Pra cantar nesse terreiro
Tem que ter muita sustança
Não é cachaça na pança
Que constrói meu improviso
Vem das células do juízo
Com pureza de criança.

Josué de Nazaré:

Com pureza de criança
Eu tambem sou cordelista.
Não enfrento repentista
Porque não toco viola
E as rimas da cachola
Não sai sem muito pensar.
Mas se eu tiver que brigar
Com um cabra trovador,
Sendo galo brigador,
Levo o sal para salgar.

Sou raposa lá do mato
E não conheço poleiro
Com galo no galinheiro
Que não possa ser logrado
E o galo ser levado.
Mais tarde a raposa astuta,
Caçadora e matuta,
Serve o galo no jantar
Depois que ele cantar,
Tremendo na cocuruta.

Vou agora a livraria,
Na festa de lançamento,
Cuja estrela do evento
É o Sebastião Marinho.
Vou abraçar com carinho
O amigo repentista,
Que sendo um grande artista,
Fez Romeu e Julieta,
O grande amor do planeta,
Em versos d’um cordelista.

ARIEVALDO VIANA:

Tá parecendo a disputa
De Pinto com Milanês
Porém garanto ao freguês
Que eu não fujo da luta
(Prefiro tomar cicuta)
Pois sei amarrar a rima
Bem vês que estou por cima
Com certeza a minha esposa
É o diabo da raposa
Que topou VIANA LIMA.

E para esquentar o clima
Já armei uma arataca
Se vier raposa fraca
É bom que traga uma LIMA
Lima por baixo, por cima,
Mas não pode se soltar
Pois o nó que eu amarrar
Cantador nenhum desata
Se for raposa da mata
Meus cachorros vão pegar.

Eu faço versos sozinho
Me inspiro só no vento
E ele no lançamento
Do Sebastião Marinho...
Acho bom tomar um vinho
Botar um rifle na maca
Melhorar a rima fraca
E vitaminas tomar
Para poder desarmar
O poder dessa arataca.

Josué de Nazaré:

Tome tento meu confrade
Que essa sua arataca
Não pega nem maritaca.
Tu é mesmo um matusquela
Falador só de balela.
Eu sou poeta criado
No sertão e no cerrado,
No verso amarro a rima,
Mas no mato eu uso a lima
Pra afiar o meu machado.

Quanto aquela posição,
De voce estar por cima,
Só facilita a rima:
Se tiver mais que sessenta,
Por cima é que se senta,
Em cima d’um tamborete.
Se acaso fizer cacoete
Porque o assento é muito duro,
Bamboleante e inseguro,
Relaxe e tome um sorvete.

ARIEVADO VIANA:

Por cima do minarete
Eu vislumbro o horizonte
Poema eu bebo é na fonte
Quadra, quadrão, gabinete,
Montado num bom ginete
Minha rima é benfazeja
Tomando a minha cerveja
E atentendo ao Rinaré
Eu convido o JOSUÉ
Para encerrar a peleja.

Josué de Nazaré:

Sobre a peanha dourada
Eu vislumbro o universo
Relendo verso a verso:
Quadra, quadrão ou sextilha
No folheto ou na apostilha.
Meu cordel é genuíno
Com verdades de menino.
Se não sou um Marco Haurélio
Pra vencer um forte prélio,
Me rendo, mas me amofino.

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