terça-feira, 14 de abril de 2009

Sabedoria de um guerreiro



CONFISSÕES DE UM GUERREIRO
(O Diário de Joshua)

Tipo: Romance
Total de Páginas:
160 - não editado

Sinopse
A lenda do burro e a carga de sal, escrita nas páginas de um estranho livro antigo e quase deformado, encontrado por Joshua no lixo de um edifício, serviu de fundo para as suas análises filosóficas.

Segue alguns trechos interessantes de uma crítica feita por um leitor amigo:
“O autor expressa com dramatismo a excêntrica caminhada dos seres humanos em busca de si próprio, tentando atingir o ponto crucial e fatídico de um dia se encontrarem, deixando transparecer as formas e movimentos que se combinam, trazendo à tona uma consciência espiritual e universal que permite surgir e arraigar verdades acessíveis e indispensáveis a todos". José Carlos.

Vivenciando e transmitindo sua sabedoria dentro da grande Metrópole, entre pessoas de todos os níveis sociais, tais como: ricos, pobres, trabalhadores e mendigos especiais, Joshua reencontra Helda – uma personagem do livro “As Trilhas da Eternidade” – e ela lhe fala sobre o seu guru da Índia, os seus conhecimentos e sobre a sua vida. Um dia Helda o convida para visitar uma caverna, onde realiza com ele, uma espécie de iniciação em um ato de magia sexual branca.
*****
Confissões de Um Guerreiro
Parte do Capítulo: O Mendigo Invisível

“...mas se o sal se tornar insípido, com que se há de restaurar-lhe o sabor? “
Acelerei os passos para cruzar a Rua Xavier de Toledo em direção ao Viaduto do Chá, numa trilha de formigas humanas em marcha acelerada. Cabisbaixo, percebia os vultos de milhares de pernas passando rapidamente contra mim. Uma voz estridente de um ambulante feria os meus tímpanos: “Cááápa de vídeo... Cááápa de vídeo”. Encostados na mureta do viaduto, vozes implorando para ler a sorte, nas mãos dos pedestres desafortunados. São os empresários dos espíritos: Curandeiros, ciganos charlatões, cartomantes, pais-de-santo e outros, alguns miseráveis maltrapilhos. Miseráveis querendo lucrar em cima de outros miseráveis. Pensei comigo:
- Não se oferece aos outros, o que não tem para si. Balancei a cabeça num gesto de injúria, pela ingenuidade dos seres humanos carentes, que alimentam esse tipo de comércio.
Mais à frente na Praça Patriarca, embarquei no ônibus e saltei na Praça Marechal Deodoro. Lá, dentro do ônibus, garotos com rostos pintados vendiam postais com mensagens de esperanças, em nome dos “palhaços da alegria dos enfermos de hospitais”. Um negócio lucrativo e organizado por algum empresário sem escrúpulos, não desmerecendo aqueles que o faz, com sinceridade no coração.
Cruzando a praça, outra cena degradante para os meus olhos: mendigos espalhados por todos os lugares e bancos. Sentei-me no único banco vazio, para consultar o endereço de uma correspondência a ser entregue. Um instante e já um mendigo estava sentado, ou melhor, tornou-se visível, na ponta do banco. Fingi não vê-lo. Mendigo não tem visibilidade social, enquanto permanece nas ruas e avenidas de uma cidade. Não é percebido pelas pessoas. Não consegui evitar um leve sorriso, ao fazer uma oculta comparação com Deus. Ninguém vê, ninguém ouve, apenas sabe que existe. É invisível, mas não é mendigo.
- What´s your last name, please?
- Será que ouvi direito? O mendigo falou em inglês? - Fingindo também não escutá-lo, respondi ironicamente em francês:
- Je m´apelle Joshua, Et toi? - Qual não foi a minha surpresa quando ouvi a resposta:
- Je m´apelle Paul. Que fais-tu, maintenant?
A situação ficou meio constrangedora. O inglês não faz a minha cabeça, mas o francês... Sempre gostei, e fui o primeiro aluno da classe nessa matéria. Acho que fiquei temporariamente fora do ar até que, decidi quebrar a regra da invisibilidade convencional.

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