MINHAS Poesias,Poemas,Crônicas,Contos,Ou coisas parecidas. Se eu não conto, Mesmo em conto,Essas coisas,Serão esquecidas. Meu Cordel, literatura, versos e métrica.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
domingo, 1 de novembro de 2015
O Rei Jumento - gotas e respingos de sabedoria
“Não pense de si mesmo além do que convém.”
Romanos 12:03
Tarde
quente, sufocante, barriga empanturrada do PF do centro, buzinas, ronco de
motores, muita fumaça, muitas pernas de gente e saco cheio de tédio, mas mesmo
assim, com todos os protestos do corpo, inclinei-me, dobrando a coluna
enferrujada, retorcendo as vértebras para apanhar no calçadão uma folha de
jornal pisoteada pelos transeuntes cegos. Corri os olhos, virei à folha e lá
estava o que sempre procuro - uma gota de sabedoria dando sopa. Gotas e
respingos de sabedoria, encontro nos lugares mais insólitos: No lixo, nos
balcões de bares, enfiados nos assentos dos ônibus públicos, voando sobre a
minha cabeça por força do vento, nos banheiros fedorentos,...
Sabedoria é
um elemento democrático, livre e acessível a todos, indiscriminadamente, ou
seja, não importa se saiu da mente ou da boca de um rico ou de um pobre, de um
gênio ou de um ignorante, o fato é que as fontes da sabedoria são isentas de
preconceitos, de raça, de cor, de religião, de nível sócio-político-econômico,
sexuais,... Mas, eu dizia, estava lá a gota de sabedoria que sempre alegra o
meu intelecto e a minha alma. Você é amplamente livre para ler nos próximos
parágrafos. Você decide, mas não fique com pena do Jumentinho:
“E, indo os discípulos, e fazendo como Jesus
lhes ordenara, trouxeram a jumenta e o jumentinho, e sobre eles puseram as suas
vestes, e fizeram-no assentar em cima. E muitíssima gente estendia as suas
vestes pelo caminho, e outros cortavam ramos de árvores, e os espalhavam pelo
caminho.” Mateus 21:06-08
“Era o primeiro dia da semana, e um jumentinho
andava vagarosamente pela estrada poeirenta. No seu lombo ele carregava um
passageiro que nunca tinha carregado antes.
O
jumento e seu passageiro tinham deixado Betânia naquela manhã e eram
acompanhados por homens que viajavam a pé. Agora, algumas horas mais tarde,
eles passaram pela encosta do monte das Oliveiras e chegaram à cidade radiante
de Jerusalém.
De
repente, o animal ficou surpreso com os gritos da multidão à medida que se
aproximavam dos portões. Logo o jumento percebeu que ele era o centro das
atenções. Eles estão olhando para mim, disse a si mesmo. Levantou a cabeça e
olhou para os rostos sorridentes que olhavam para ele, - Eles estão sorrindo
para mim! Pensou.
Um
homem tirou a sua túnica e a estendeu no caminho do jumento. Uma mulher tirou o
seu xale e o estendeu na estrada. Logo, as crianças começaram a deitar ramos
das árvores pelo caminho, tornando-o um tapete macio e limpo para os seus
cascos. Eles estão me honrando como se eu fosse um rei! O jovem jumento
pensou. Ele ficou todo orgulhoso. Eles
estão cantando para mim. Ah! Que maravilha! Eu sou maravilhoso!
Quando
o cortejo chegou às escadarias do templo, a multidão ficou quieta. Por que eles
pararam? Indagou o jumento. O louvor tem de continuar!
Foi
então que o jumento percebeu, chocado, que os gritos não eram para ele. Seu
passageiro desmontou e subiu os degraus do templo. A multidão o seguiu,
deixando o jumento sozinho na rua, amarrado a um poste. Eu devia ter me sentido
honrado, percebeu o jumento, de ter carregado no humilde lombo o homem chamado
Jesus, mas eu estava tão convencido com o que eu achava ser a minha importância
que não apreciei a honra que eu tinha recebido.
Imagine!
Um jumento recebendo o louvor e a adoração que pertencia a Jesus! Que ridículo!
Que arrogante!
Nós
humanos, porém, cometemos o mesmo erro. Nós nos tornamos orgulhosos e achamos
que somos o máximo.
Deus
ordena: “Não pense de si mesmo além do que convém”. Deus sabe que nossa
tendência é deixar-nos levar a receber crédito por coisas que não fizemos.
Qualquer atitude orgulhosa que temos nos impede de apreciar as coisas que Deus
nos deu. Deus valoriza a humildade.”
*(Trecho
extraído do: Informativo O Semeador – Ano 1 – nº. 6 – bimestral julho/agosto –
2006. (Penha) SP.)
Quem pode afirmar que não pensa de si
mesmo, mais do que convém?
Eu penso. Penso mesmo, não vou negar. Não
vou mentir a mim, mesmo. Quem fala a verdade não merece castigo e não serei mentiroso.
Todos os dias, acordo me achando, entro no metrô lotado empurrando a todos
porque eu preciso de espaço. “Estou sempre me achando.” Mesmo quando sou
obrigado a pedir favores a outrem, eu me acho o “todo-todo”. Jogo uma toalha
descuidada sobre o meu orgulho, sobre o meu convencimento e peço o favor. Claro,
se não tem outro jeito! Depois é só puxar a toalha e tudo é glória pessoal. É
verdade! Gostaria de dizer o contrário! E quer saber mais? Até em dizer essas
verdades do meu próprio interior, já me sinto orgulhoso e sábio, mais que os
outros. Poder, orgulho, soberba, egoísmo, arrogância, é muito mais que uma taça
do elixir dos deuses; muito mais que uma orgia com as mais lindas e atraentes
mulheres. Tudo isso leva a sensação de poder e, poder é o atributo natural de
Deus. A natureza do homem é ambicionar a divindade.
Aconteceu lá, em pleno cenário do céu,
com o querubim Lúcifer – a luz das esferas – a pedra brilhante dos jardins dos
céus, o mais poderoso e inteligente e, o final foi a sua irrevogável e
irretratável expulsão das mordomias celestiais, que resultou na queda para o
inferno da matéria sem luz.
Sou eu, mais forte que Lúcifer, quando
no seu estado de anjo do bem? Eu, humano, escravo e residente de uma matéria física
escura, inconsciente das minhas próprias origens; sou eu, mais resistente ao
assédio do poder, do orgulho, da ambição desmedida, da arrogância, da luxúria,...mais
resistente que Lúcifer?
Para lembrar que o mal não compensa, tento
não esquecer que, mesmo com todo o seu poder e glória, a recompensa por não
resistir ao mal, foi o exílio no inferno.
O tal “lago de enxofre que arde dia e noite”, as “trevas exteriores”, onde
se ouvem” prantos e rangeres de dentes” .
– “E
o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a
besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o
sempre. (Apocalipse 20 : 10)
Quem quer ir para o
inferno? Você quer? Eu não quero. Eu não sou besta! Besta ou Jumento, é a mesma
coisa. Veja o que diz o Aurélio, aquele que pensa que sabe mais que os outros: Besta: Quadrúpede (Mula, Jumento); Pessoa
muito curta de inteligência; Indivíduo pretensioso, pedante, presunçoso; Metido
a besta, cheio de empáfia; vaidoso; convencido e pretensioso.
Na verdade, tudo isso
você pode resumir em uma só frase: Aquele que pensa de si além do que realmente
é.
sábado, 10 de outubro de 2015
MACUNAÍMA - O herói sem nenhum caráter (Cordel) - Adaptação: Josué G. de Araújo
Foto: Encontro com Pascoal de Conceição que subiu ao palco do auditório da Academia Paulista de Letras para encerramento das homenagens a Mário de Andrade, realizados pelas Academias estudantis de letras das escolas, com apoio da secretaria municipal da educação.
Minhas homenagens em Cordel:
Setenta
anos
sem Mario de Andrade
sem Mario de Andrade
(Josué
G. de Araújo – 09/10/2015)
“Garoa do Meu São Paulo”
Projete Mário de Andrade
E as cenas da Pauliceia
Com sua modernidade,
Para eu compor um Cordel
Contando só a verdade.
Mario de Andrade nasceu
No ano noventa e
três,
Lá no século dezenove.
Repleto de altivez,
Foi “um escritor difícil”,
Brilhando na “escuridez”.
Aos dez anos de idade
Fez um poema-canção,
Mas a mãe fez um muxoxo
Com a primeira criação.
Isso não atenuou
Seu ânimo na vocação.
A torre da velha era,
Mário não a implodiu,
Contudo, outra imponente,
Sobre os ombros, erigiu:
As bases do modernismo
Que a Pauliceia aplaudiu.
O passado para Mário
É espelho, reflexão,
Mas jamais um instrumento
De uso e repetição.
Para frente é que se anda,
O novo é evolução!
“Meu São Paulo da garoa”,
Mário é verbo intransitivo,
Completo sem complemento,
Futurista, intuitivo.
Pauliceia Desvairada
É obra desse inventivo!
As obras falam por
si:
Moda: “Viola
quebrada”
Livro: “Lira
Paulistana”.
Sua obra consagrada,
“Macunaíma”, o herói,
Nas telas, foi
projetada.
Nos versos do Futurista,
Poeta Mário de Andrade:
“Ver
arte contando história,"
“São glórias desta cidade. ”
Quando um povo não tem glória,
“São glórias desta cidade. ”
Quando um povo não tem glória,
Arte é celebridade!
Carente de ser amado,
Impunha-se combativo.
Intelectualmente, o Mário
Foi um ser hiperativo:
Sua alma, sua arte,
Polêmico e criativo.
Decepção na política,
Amargura e injustiça,
Vislumbre do ”mal du siècle”.
Sorriu do: "Ai, que preguiça!"
E na torre de marfim
Encontrou sua própria liça.
Vinte e cinco, nesse dia,
No verão em fevereiro
Do ano quarenta e cinco,
Nós perdemos o guerreiro:
O Alfa do modernismo
No Brasil do brasileiro.
Da nossa literatura,
Alguém disse uma verdade:
Morte semelhante a essa,
Íntegra em acuidade,
Só de Machado de Assis,
Pleno em genialidade.
Fui Brás Cubas, Dom Casmurro,
Do mestiço pioneiro.
Vi a invasão da saúva
Com ferrão de cangaceiro.
Vi crescer Macunaíma
Com a cara de brasileiro.
O Cordel é interessante,
Literário com certeza.
Apesar de secular
Com regras, rima e beleza,
Não adentrou à elite
Por nascer entre a pobreza!
Nosso Cordel
Brasileiro
Nascido na Paraíba,
Leigos dizem que é
“estranja”,
Bagagem do caraíba!
Chamam macaco de
“singe”,
“Mas
não sabem o que é guariba? ”
O Poeta é inserido
Pela arte do destino
Que a vida lhe atribui,
Na idade de menino.
Se a poesia o escolhe
É arranjo do divino.
“Meu São Paulo da garoa”,
Já se passaram setenta,
Dos verões sem o poeta.
Nosso povo, ainda, tenta
Vencer esse Jereré
E livrar-se da tormenta.
Setenta anos sem Mário,
O poeta modernista,
As saúvas majoraram,
Sem o carão do romancista!
Também, verso, rima e métrica,
Tem se ampliado na lista.
Oxalá, que a Pauliceia,
Mais outro Paulista invente
Com verve igual a de Mário,
E o espírito eloquente,
Que nos livre do marasmo,
Renovando o presente!
***
Hoje dia 09 de outubro comemora-se o aniversário de Mário de Andrade. Após os 70 anos da sua morte, resolvi fazer uma adaptação da sua obra: Macunaíma, o herói sem nenhum caráter.
MACUNAÍMA - O herói sem nenhum caráter (Cordel)
Adaptação: Josué Gonçalves de Araújo
No fundo do mato-virgem,
Macunaíma nasceu
As margens d’Uraricoera.
Nenhum murmúrio, se deu
Quando a Índia Tapanhumas
Pariu o filho e gemeu.
Indiferente, ela olhava
Aquele negrinho feio,
Olhando torto pra ela
Com a cara de aperreio.
Chorou e ficou de pé
Tentando sugar-lhe o seio.
O nome Macunaíma,
Ima é “grande”, maku é “mau”,
Bom e mau, covarde e bravo...
Um elemento dual:
Sendo incapaz e capaz,
Faz o bem e faz o mal.
Já na sua meninice
Revelou a sua cobiça
Por todo e qualquer vintém.
O trabalho era injustiça,
Só quis falar com seis meses,
Quando disse: — “Ai que preguiça!”
“Dandá pra ganhar vintém”,
Só assim, era ligeiro.
Se lhe mostrasse moeda,
Qualquer forma de dinheiro,
A preguiça era esquecida,
Ele chegava primeiro.
Já antes da puberdade
Tinha sonhos infernais:
Maracutaia e mulheres
Eram temas naturais,
Não demonstrava respeito
Pelos princípios morais.
À noite lá no mucambo,
Perseguia as indiazinhas.
Dormia no macuru
Sempre dando as mijadinhas!
A mãe na rede, abaixo,
Sentia as gotas quentinhas.
Nos machos, a cusparada,
Mas os velhos, respeitava.
A murua, a poracê,
O danado frequentava,
Torê e bacorocô,
As danças, ele dançava.
O idoso Maanape,
Era o sábio feiticeiro,
Irmão de Macunaíma;
Jiguê, o irmão arqueiro,
Perdia as suas mulheres
Para o irmãozinho arteiro.
A esposa de Jiguê
Levou o piá ao mato,
Escanchado na cacunda,
Até a beira d’um regato.
Ao deitá-lo na taioba
Virou um moço pacato.
Sofará se encantou
Com a magia do cunhado.
As biguatingas voavam
Sobre o igarapé ao lado.
À noite, a mulher voltou
Com o piá aloprado.
...continua...Aguardem o lançamento!
domingo, 4 de outubro de 2015
Lançamento de novos livros de Cordel pela Editora Luzeiro e Magazine gibi
Já nos sites da Editora Luzeiro e da Magazine gibi, 4 novos livros de Cordel.
Zé Heitor Fonseca do Rio Grande do Sul com "Churrasco de Cachorro", José Nascimento com "O Lutador de MMA e a borboleta", escritor se lançando lá de Alagoas, Varneci Nascimento com os sofrimentos dos passageiros na Sampa - "No Ônibus é assim" e eu com "O País Kastoriano contra o Império do fogo".
Zé Heitor Fonseca do Rio Grande do Sul com "Churrasco de Cachorro", José Nascimento com "O Lutador de MMA e a borboleta", escritor se lançando lá de Alagoas, Varneci Nascimento com os sofrimentos dos passageiros na Sampa - "No Ônibus é assim" e eu com "O País Kastoriano contra o Império do fogo".
Editoras: http://www.editoraluzeiro.com.br/
e http://www.magazinegibi.com.br/
Poesia ou Música? Ninguém segura a inspiração!
Porteira do tempo
(Josué
G. de Araújo)
Eu
cantei lá na porteira
Onde
o meu amor passou.
Só
parei a cantoria
Quando
o tempo anunciou
Que
andorinha que é migrante
Quando
vai o tempo trás,
Maracanã
avoante
Voa
longe e o ninho faz.
Esse
cinza da porteira,
Cor
do tempo sem idade.
O
ferrolho enferrujado
Não
é só da umidade.
É
o molhar das minhas lágrimas
Quando
eu canto de saudade.
domingo, 13 de setembro de 2015
"DE TODO VERDE DAS MATAS" - do poeta e Cordelista Josué G. de Araújo
DE TODO VERDE DAS MATAS
Sonhando, sonhei um dia,
Por obra da inspiração,
Escrever uma poesia,
Que tocasse o coração:
Com versos todos rimados,
De amor dos bem-amados,
Ternura e muita paixão!
Por obra da inspiração,
Escrever uma poesia,
Que tocasse o coração:
Com versos todos rimados,
De amor dos bem-amados,
Ternura e muita paixão!
De todo verde da vida,
Do azul do céu estrelado,
Do jovem esperançoso,
Sonhando sempre acordado,
Fazendo o mundo da gente,
De toda gente decente,
O nosso mundo sonhado.
Do azul do céu estrelado,
Do jovem esperançoso,
Sonhando sempre acordado,
Fazendo o mundo da gente,
De toda gente decente,
O nosso mundo sonhado.
Das aves cantando livres
Em abundante ar puro;
Da caminhada dos jovens,
Pisando os pés no futuro;
Dos nossos velhos antigos
Sendo, os melhores amigos,
As luzes do nosso escuro.
Em abundante ar puro;
Da caminhada dos jovens,
Pisando os pés no futuro;
Dos nossos velhos antigos
Sendo, os melhores amigos,
As luzes do nosso escuro.
Das nossas crianças rindo,
Correndo alegre, brincando,
Num canto, em todos os cantos,
Sem o maldito rondando!
Tendo no pai um amigo
Podendo contar consigo,
Quando estiver precisando.
Correndo alegre, brincando,
Num canto, em todos os cantos,
Sem o maldito rondando!
Tendo no pai um amigo
Podendo contar consigo,
Quando estiver precisando.
É um sonho impossível?
Fácil é falar bem da morte,
Propagando mais o ódio,
Chorando a falta de sorte:
Da terra seca sem flores,
Rachada cheia de dores,
Do leste-oeste, sul-norte!
Fácil é falar bem da morte,
Propagando mais o ódio,
Chorando a falta de sorte:
Da terra seca sem flores,
Rachada cheia de dores,
Do leste-oeste, sul-norte!
Planeta cor azulada,
Terra d’água e da vida,
Coração de mãe eterna,
Vivendo a vida sofrida,
Lutando contra a ganância,
Estupidez e arrogância
Para não ser destruída.
Terra d’água e da vida,
Coração de mãe eterna,
Vivendo a vida sofrida,
Lutando contra a ganância,
Estupidez e arrogância
Para não ser destruída.
Só há nuvens, nuvens negras,
Lá no céu, de tão escuro!
A fumaça sendo a arte,
Nessa tela do futuro,
Não se mostra a esperança.
Quem só vive e não descansa
O destino é obscuro.
Lá no céu, de tão escuro!
A fumaça sendo a arte,
Nessa tela do futuro,
Não se mostra a esperança.
Quem só vive e não descansa
O destino é obscuro.
E as leis que não tem regras,
Dessa gente sem noção,
Que finge sério e que mente,
Sem senso, sem coração,
Demente e dissimulada
Com a cara deslavada,
Diz que tem boa intenção.
Dessa gente sem noção,
Que finge sério e que mente,
Sem senso, sem coração,
Demente e dissimulada
Com a cara deslavada,
Diz que tem boa intenção.
O canto dos passarinhos,
Celebrando a liberdade,
São gravados só em discos,
Para a posteridade.
As pessoas mais amigas,
Me lembram as inimigas,
Finge a afetividade.
Celebrando a liberdade,
São gravados só em discos,
Para a posteridade.
As pessoas mais amigas,
Me lembram as inimigas,
Finge a afetividade.
As vitórias não têm glórias,
Das guerras que já são tantas.
Quem luta come excremento
Sentado entre as antas,
Recontando os seus troféus,
Vitórias das guerras santas?
Das guerras que já são tantas.
Quem luta come excremento
Sentado entre as antas,
Recontando os seus troféus,
Vitórias das guerras santas?
Cada menino sorrindo,
Seu sorriso amarelo,
Fraco, faminto, carente,
Vagando só e sem elo,
Lá nos buracos sem luz,
No pé, no mastro da cruz,
Sequioso e magrelo.
Seu sorriso amarelo,
Fraco, faminto, carente,
Vagando só e sem elo,
Lá nos buracos sem luz,
No pé, no mastro da cruz,
Sequioso e magrelo.
Cheirando, cheira legal,
Na cola, cola colados,
Numa viagem sem volta,
Ali, em todos os lados,
Perto, tão perto de mim
Sorvendo pedras sem fim,
Com seus corpos flagelados.
Na cola, cola colados,
Numa viagem sem volta,
Ali, em todos os lados,
Perto, tão perto de mim
Sorvendo pedras sem fim,
Com seus corpos flagelados.
Crianças nascem miudinhas
E vão crescendo peladas,
Criadas a fogo e ferro
Sentindo-se desprezadas
Em nosso mundo mundano,
De gente com mão de cano,
De gentes muito taradas.
E vão crescendo peladas,
Criadas a fogo e ferro
Sentindo-se desprezadas
Em nosso mundo mundano,
De gente com mão de cano,
De gentes muito taradas.
Elas já não mais reclamam,
Recebem muitas pancadas,
E muito pouco, esperam,
Dessas almas desalmadas
Que embebem da sua fama,
Arrotam sobre a cama,
Engulhos das presepadas.
Recebem muitas pancadas,
E muito pouco, esperam,
Dessas almas desalmadas
Que embebem da sua fama,
Arrotam sobre a cama,
Engulhos das presepadas.
Essa gente sem noção,
Explorando os mais fracos,
Desprezam sempre os mais velhos,
Depois se livram dos cacos!
Já não amam mais poesias
E andam em romarias,
Com as mãos sob os sovacos.
Explorando os mais fracos,
Desprezam sempre os mais velhos,
Depois se livram dos cacos!
Já não amam mais poesias
E andam em romarias,
Com as mãos sob os sovacos.
O planeta está morrendo,
Obsceno e poluído,
Exalando cheiro forte,
Cheiro de porco cozido
Que se sente no chiqueiro
De quem rouba o dinheiro
Desse povo mais sofrido.
Obsceno e poluído,
Exalando cheiro forte,
Cheiro de porco cozido
Que se sente no chiqueiro
De quem rouba o dinheiro
Desse povo mais sofrido.
Sentindo o cheiro da morte
Os abutres vêm rondando,
Para limpar a sujeira.
Nosso ar tá rareando,
A tendência é piorar.
Tá difícil de falar
Não estou mais respirando?
Os abutres vêm rondando,
Para limpar a sujeira.
Nosso ar tá rareando,
A tendência é piorar.
Tá difícil de falar
Não estou mais respirando?
Dia a dia nessa luta,
Na magia de sonhar,
Na esperança de sorrir
Minha alma a me inspirar,
Na soneca ao relento,
Vivo o sonho do talento
Na inércia do acordar,
Na magia de sonhar,
Na esperança de sorrir
Minha alma a me inspirar,
Na soneca ao relento,
Vivo o sonho do talento
Na inércia do acordar,
Sem a falsa da modéstia,
É a poesia que eu queria
Lá do âmago da alma.
Mas, que estilo de poesia,
Vou criar com esse alento,
Se não resta um argumento?
Mergulho na utopia?
É a poesia que eu queria
Lá do âmago da alma.
Mas, que estilo de poesia,
Vou criar com esse alento,
Se não resta um argumento?
Mergulho na utopia?
Lá na sombra lá do morro,
Só tem dor, grito e orgia,
E o socorro, quando vem!
Vem da droga, drogaria.
Mas e a festa lá do Cristo
Sem a fé que eu tanto insisto?
Vinde a mim! Santa folia!
Só tem dor, grito e orgia,
E o socorro, quando vem!
Vem da droga, drogaria.
Mas e a festa lá do Cristo
Sem a fé que eu tanto insisto?
Vinde a mim! Santa folia!
A minha linda poesia,
Sem o vosso reino santo,
Escrevê-la já, não posso,
Mesmo clamando em pranto.
É porque, de um bom pateta,
Tenho mais que um bom poeta,
Que sonha cantando um canto.
Sem o vosso reino santo,
Escrevê-la já, não posso,
Mesmo clamando em pranto.
É porque, de um bom pateta,
Tenho mais que um bom poeta,
Que sonha cantando um canto.
Vai que eu sonhe com a musa,
Numa noite ou qualquer dia,
E talvez ela me inspire,
A excelente poesia,
De uma chama luz fraterna,
Tão bonita e tão eterna,
Como tanto eu mais queria?
Numa noite ou qualquer dia,
E talvez ela me inspire,
A excelente poesia,
De uma chama luz fraterna,
Tão bonita e tão eterna,
Como tanto eu mais queria?
Josué G. de Araujo
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