sábado, 1 de janeiro de 2011

Ao Mestre Azulão com carinho“ - Todo erro é compreensível, mas a correção desastrosa é imperdoável.

"O Ministério da Cultura, neste ato representado pela Secretaria de Articulação Institucional, no uso de suas atribuições legais, em cumprimento ao disposto na alínea “b”, Inciso I, do Art. 3º da Lei nº. 8.313, de 23 de dezembro de 1991, torna público o edital Prêmio “Mais Cultura de Literatura de Cordel 2010 - Edição Patativa do Assaré” - em todo o território nacional.
“O investimento é de R$ 3 milhões, distribuídos entre os projetos selecionados” Diário Oficial da União.



O Projeto:

Parabéns ao Governo Federal por essa iniciativa. É uma migalha de incentivo para a nossa cultura, mas como diz o dito popular: É melhor lamber que cuspir”.

“...querem roubar a pureza, a nacionalidade de um país, destruindo a sua cultura. O brasileiro, ou qualquer outra nacionalidade, tem amor à sua pátria através também de sua cultura. E não tendo chance de apreciar e participar de sua cultura, é uma pessoa despatriada. Uma pessoa que não tem amor à pátria é que nem cocô na água, não sabe para aonde vai.” Parte de uma entrevista de Mestre Azulão, extraido do fotolog: http://fotolog.terra.com.br/cordelnaescola:153

Com esse projeto, o Ministério da Educação toma a iniciativa de apoiar a realização de projetos relacionados ao mundo dos: "Repentistas e Cordelistas".
Para nós, os cordelistas, parte da verba está destinada a financiar - 80 projetos com valores até sete mil reais cada.
Qual dos poetas que animados com essa novidade, não sonhou com a inclusão do seu projeto na lista dos selecionados? Eu também sonhei. Tanto que enviei o meu projeto. Transformação de um conto dos irmãos Grimm "Os três cabelos de ouro do diabo, em cordel". Anexo ao projeto, enviei o meu currículo literário.

Resultados:
No dia 14 de dezembro de 2010, saiu um edital no Diário Oficial da União, página 18 – “Relação dos projetos classificados”. No topo da lista, com 89 pontos, constava o meu nome: Josué Gonçalves de Araujo/SP.
Difícil foi acreditar. Por que eu, no primeiro lugar da lista? O meu primeiro cordel havia sido lançado em, (não mais que dois anos atrás). Era normal a minha esperança de estar incluído entre os aprovados, e se fosse a ultima posição – 80ª, seria motivo de muita alegria.
Não teria havido algum engano?
No dia 22 de dezembro de 2010, saiu novo edital e houve correção na lista dos aprovados. Agora constava no topo da lista com 90 pontos, o nome de José João dos Santos. Quem? Na verdade, conhecido como o “Mestre Azulão – lenda vida do cordel, com fama internacional. Vale lembrar que na primeira classificação, ele constava na posição 102ª – desclassificado.
Passei então a ocupar a “honrosa” segunda posição, (em boa companhia), mas infelizmente, aquele poeta – Rivani Nasário de Oliveira do Espírito Santo de Olinda - Pernambuco, que também sonhou e que estava na posição 80ª - ultimo dos aprovados da lista anterior, passou para a 81ª, sendo automaticamente (desclassificado). Esse poeta foi o único prejudicado.

Critérios:
 Quais os critérios usados na avaliação que gerou a primeira lista?
 Quais os critérios usados para a correção relacionada ao Mestre Azulão que gerou a segunda lista?
 Quais os critérios de avaliação para realocá-lo no topo com 90 pontos?

O edital de correção foi uma resposta a “grita” de vários poetas cordelistas, inconformados, e com razão, do fato de o Mestre Azulão – (José João dos Santos) - ficar de fora do primeiro concurso dessa natureza.

“Outras distorções lamentavelmente permaneceram. Numa delas, a tese de doutoramento de Aderaldo Luciano, aprovada com louvor na UFRJ, foi excluída, não alcançando sequer a pontuação mínima.
Felizmente, a inclusão de Mestre Azulão atenua em parte os equívocos cometidos.” (extraído do blog: http://fotolog.terra.com.br/marcohaurelio)

Ainda, não tenho resposta para essas perguntas. Temo que essa correção, da forma como foi feita, venha a lançar dúvidas sobre os critérios utilizados na avaliação dos classificados:

Os erros:
 Erraram tanto na primeira avaliação?
 Ou erraram mais ainda na correção?
 A coerência do reconhecimento dos erros que forçaram a realocação de um poeta das últimas posições (com 57 pontos) para a primeira posição, (agora com 90 pontos), não inverteria a ordem dos classificados da primeira lista?
Seria absurdo esperar eficácia dos nossos órgãos públicos, mas eficiência é fundamental. Todo erro é compreensível, mas a correção desastrosa é imperdoável.

Injustiça:
O nosso querido Mestre Azulão não merecia isso! Ele é homem simples e honrado; um poeta sério e autêntico. Eu tenho por mim que, o verdadeiro poeta vive para alimentar a sua alma e isso não se coaduna com a demasiada ambição material, com o poder ou com as angustias do ego.
O resultado do que fizeram e refizeram, de forma dúbia, com a participação de Mestre Azulão nesse concurso, não condiz com o que ele é; com o que ele representa e com o que ele prega.

Minha admiração:
Sonho ir a São Cristovão no Rio de Janeiro para visitá-lo; apertar a sua mão, como se apertasse a mão de todos os cordelistas que povoaram a minha imaginação infantil, nas longas noites.

Minha verdade:
Sem querer ser tartufo ou condescendente, afirmo e ratifico em qualquer tempo, que julgo o projeto - “a tese de doutoramento de Aderaldo Luciano” - de maior importância, para o mundo do cordel, que o meu próprio projeto. Temos muitas obras boas – livretos de cordel – publicadas ou sendo publicadas de norte a sul, mas um projeto como o de Aderaldo é raro. Já dizia Albert Einstein: “não existe um ponto, verdadeiramente fixo no universo, tudo se movimenta e se evolui”. Isso vale, também, para o cordel. Um leitor se emociona e se impressiona com uma obra literária, justamente porque o seu conteúdo lhe parece inédito, além do seu alcance ou imaginação. O poeta autêntico tem obrigação de estar à frente, seguir em frente, ou seja, evoluir. Qualquer forma de temor ou resistência ao “novo” é ausência de pureza da alma e ou autenticidade da sua dádiva poética. A poesia é um instrumento de sublimação da alma humana. É por essa razão que um poeta é um poeta e um executivo é um executivo. O óleo e a água não devem se misturar.


Josué G. de Araujo

Zé Da Luz - Poesia nordestina - Cantadô e Violêro


Eu nunca aprendí a lê.
Eu nunca tive im iscóla.
Mas, Deus mi deu o sabê,
De sê impruvisadô
E tocadô de viola.

Eu não invejo a sabênça
De nenhum hôme letrado.
Deus mi deu intiligênça,
Qui tem feito diferença
A munto doutô formado.

De que serve os anelão
Qui êsses doutô tem nos dêdo,
Se de uma impruvização
Êles não sabe o segrêdo?

As iscóla, a Acadimía,
Faz doutô de todo geito:
- Faz doutô de inginharía;
Doutô Juiz de Dereito;
Doutô prá curá duênça;
Faz inté doutô dentista.
Mas, nunca há de fazê,
Um doutô saí de lá,
Formado na puisía,
Num puéta repentista!

Quando eu pego na vióla
Qui óiço o gemê das prima,
Os verso sái da cachóla
Im cachuêras de rima!

Praquê maió aligría,
Prá um cabra impruvisadô,
De que numa canturía
Êle lová u'a moça,
Pra dispôis dela lováda,
Fica tôda derrengáda
Agradicendo o lovô?

E a vióla, contente,
Ficá tocando um baião,
Inquanto o cabôco sente,
Outra vióla tocando
Cá dentro do coração?...

Se os versos q'eu impruviso
Não tem graça nem belêza,
Piçuí um grande valô:
- Êsses verso, eu aprendí
No livro da Naturêza
Tendo Deus pru professô!

O cantadô de repente
Tem tudo qui êle quizé:
- Tem os rio, as cachuêra,
Tem as noite inluaráda,
O rompê das arvoráda
E a graça das muié!

E tem o céu brasilêro
Qui cobre as terra Norte!
E tem o cabôco forte,
Tem o valente vaquêro,
As "Festa de Apartação",
Tem o calô das fuguêra
Das noites de São João!

Tem os cabôco valente
Flô da alma do sertão!
Êsses cabôco ribusto,
Qui vinga a honra ultrajada,
Sem tê mêdo, sem tê susto,
Cum um "Bacamarte" na mão!

Praquê livro ou iscóla,
Praquê ané de doutô?
Se eu piçúo uma vióla,
Tenho livro e prufessô;
Tenho Deus e a Naturêza
Aonde tá a grandêza
De tudo qui Êle criou!?
* * *
Eu sou feliz, meu patrão.

Eu vivo nesse mundão
Bem satisfeito e contente.

E peço à Deus das artura,
(Ao meu grande prufessô)
Qui não mi farte o repente,
Esse dom qui Êle mi deu
Cum Seu pudê verdadêro
De eu sê impruvisadô,
Cantadô e violêro!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Inferno sem pavor (Josué G. de Araujo)

Devo a vida ao instinto
Nessa tal sobrevivência!
É assim que todo dia,
Sobrevivo à existência.
O instinto é quem me salva,
Despertando-me na alva.
Ter a alma de escritor
É entregar-se no deslumbre,
Com a paz só de vislumbre
Num inferno sem pavor.

O tédio é sufocante
E a poesia é salvadora
— Colírio paliativo! —
Grande amiga animadora.
Mas o barco majestoso
Nas águas do mar colosso,
Deriva sem horizonte,
Com bússola sem ponteiro
E o leme sem marinheiro.
O céu parece defronte!

No espelho a imagem,
É você se avelhantando.
Naquele corpo estranho,
Matéria sempre oxidando
E o disparate da vida,
A dor na alma sentida,
É que o corpo envelhece,
Mas a eterna criança
Conserva a esperança,
Vivendo, não se esmorece.

Em total catalepsia,
Com sua plena consciência,
Olhando pelas janelas
Diante dessa incoerência,
A figura envelhecida,
No espelho, desvanecida,
Insiste em ser você.
E o espírito imortal,
Permanece jovial,
Escravo, sempre a mercê.

As pessoas ao redor
Augurando como corvo,
Querem livrar do entulho,
Do improfícuo estorvo.
O espírito amordaçado
Oculto e agrilhoado,
Num paradoxo da vida:
Se, lá dentro ele evolui,
La fora o corpo dilui
Corrompendo a guarida.

No interior da carcaça
Um sábio em letargia
Tem que dormir acordado
Pra cumprir a profecia.
Sufocando seu desejo,
Vivendo só de sobejo,
Engolindo muito sapo,
Achando na solidão
Abrigo e proteção,
Sentindo-se como trapo.

Nessa furna de dois olhos
Contemplando a beleza,
Se cumpre a penitência,
A sanção da natureza:
Medida de repressão,
Visando a evolução,
Da sua própria essência,
Uma questão do espírito
Que lhe parece esquisito,
Sem você ter consciência!

Mesmo assim, você deseja
Tudo o que não pode ter.
Seus sonhos são impossíveis,
E você tenta esquecer!
Lá dentro, puro sadismo,
Lá fora, só masoquismo.
O belo fica mais belo
E a beleza é negada.
A velhice é descartada,
Para um mundo paralelo.

É realmente sufocante
O tédio da existência.
O espírito é cruel,
A vida é incoerência,
Uma absurda imposição,
Com arbítrio por opção:
— Ou a vida ou a morte —
Se a vida, pegue a enxada
E, se a morte, resta à espada.
É um jogo de esporte.

As águas correm pro mar
Por força da natureza.
Nada impede o seu caminho,
Não importa a profundeza.
Voando em nuvens no céu,
Correndo na terra ao léu
Adentrando pelas veias,
Nas artérias da terra,
Pelas estrias da serra,
Descendo sem quaisquer peias.

O planeta deflorado,
Conseqüência do progresso,
Pra salvar a humanidade
É o que diz qualquer congresso.
Quando a terra se queimar
E o verde se acabar,
Tudo estará terminado,
Vamos ser anjos sem asas,
Viver no inferno sem casas,
Com o Diabo malvado.

Extinção lá no inferno,
Esse risco, ninguém corre.
O céu já foi destruído
Por culpa de um grande porre:
Quando os anjos rebelados
Foram então engabelados,
Pela farsa da ambição,
O céu foi todo manchado.
O Diabo já alertado,
Cuidou da preservação.

Miríades exiladas
Do seio da divindade,
São sementes no astral
Que nascem na humanidade.
Infiltram-se na matéria,
Ocultando-se na artéria
Do humano sem juízo.
Usando desse instrumento,
Através do nascimento,
Retornar ao paraíso.

Toda manhã, de manhã
Embora o céu bem sereno
Sempre creio que o dia
Será de sol mais ameno.
Mas se pinta um temporal
Como guerra angelical,
E a procela brame forte
Temo que um raio certeiro
Atinja meu corpo inteiro
Rezo então, para ter sorte.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Carta do escritor "Medalha de Ouro" do Clube do Livro para o Cordelista Josué Araujo

São Paulo, 04 de setembro de 2010.

Caro Josué G. de Araújo

Com a Literatura de Cordel você encontrou realmente o seu caminho criativo em O Mistério da Pele da Novilha você reafirma e mantém o nível alcançado em seu folheto anterior, O Coronel Avarento, tanto na temática quanto na preocupação formal. Nos dois você soube se utilizar de certos mitos para construir o seu universo ficcional, dando-lhe assim um significado maior, sem a necessidade dês se deter em explicações sobre os mecanismos predominantes das relações humanas.
No comentário que fiz sobre seu primeiro folheto, apontei o fato de você fazer do Coronel Avarento um verdadeiro judeu errante, condenado a viver eternamente na materialidade para os seus crimes. Não por coincidência, neste seu segundo trabalho o personagem Severino tem a mesma sina, só que lhe é dada a possibilidade de se redimir através de uma troca de solidariedade bem cristã. Meus parabéns pela coerência formal e de conteúdo. Se você havia usado bem as estrofes de sete versos, agora o faz bem com as de seis versos. Está se tornando um mestre na arte de narrar versejando. Persista.
Sem querer ser chato, relembro que, antes de você, alguém já disse ser o cordel “um estilo dês vida”. Em 1972, na “Revista Brasileira de Folclore”, Rio de Janeiro, jan/fev, Mark J. Curran disse: “Quando uma pessoa lê folhetos, da Literatura dês Cordel, faz muito mais do que apreciar a poesia do povo. O leitor pode perceber um estilo de vida visto não só nos versos, mas também na apresentação total do poeta popular, sua ideologia e sua personalidade como poeta e comentador da vida do povo”. Esse comentário foi reproduzido numa antologia organizada por José de Ribamar Lopes, Literatura de Cordel, 2ª edição de 1983, nas páginas 673 e 677.De onde se vê a autenticidade de sua dedicação ao Cordel, como gosta de dizer.Muito mais eu teria a comentar sobre seus dois folhetos no gênero, mas fico por aqui. Tenho certeza que os especialistas terão muito mais a dizer sobre eles, pois estão a merecer.
Receba o abraço fraterno do

Benedicto Luz e Silva

No centro da São Paulo, no edifício da Paz, eu subo pelo elevador de porta sanfonada de antigamente, até o segundo andar. Por um longo corredor em forma "L", eu percorro alguns segundos ansioso e após passar por várias portas fechadas, bato na penúltima porta. Meia porta se abre porque a sala é pequena e repleta de livros. Entre eles, esta o mestre Benedicto com os seus cabelos branquinhos. É sempre com alegria que me recebe. Começa ai o dialogo literário. Falamos da vida de Machado de Assis, Mário de Andrade, do amigo pessoal do mestre - Jorge Amado e outros. Brasileiros ou internacionais, não importa, o mestre tem intimidades com todos eles. brigamos muito e ele sempre espera que eu não volte mais por causa da suas rebeldia ou discórdia. Eu sempre volto e sempre repito: Mestre, eu voltarei sempre, não importa as nossas desavenças literárias. O expediente do Mestre termina ao meio dia. Depois de alimentar a alma, o Mestre volta para sua casa.

Eu o conheci por indicação de um conhecido dele. Alguém me disse que havia um escritor solitário em uma sala do edifício. Eu exigi que ele me levasse até a sala e me apresentei ao escritor. Começou assim a nossa amizade. Descobri também que ele era conhecido de um dos meus concunhados de Natal. Nem sei o quanto aprendi com ele...

Josué.

Escritor e Editor:Benedicto Luz e Silva

1º lugar (Medalha de Ouro) no segundo concurso para a outorga do "PRÊMIO NACONAL CLUBE DO LIVRO'
Com o livro; "Um corpo na chuva" - Romance com 150 Pg.
Editora Clube do Livro Ltda - 1972.

Publicou mais des 500 títulos de vários autores pela sua editora pessoal.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O mistério de Josué por Marco Haurélio

O Mistério da Pele da Novilha, de Josué Gonçalves de Araújo, lançado recentemente pela Luzeiro, é, ao mesmo tempo, um sopro renovador para a poesia dita popular e a afirmação de uma tradição que nem todos querem ou conseguem respeitar. Refiro-me ao romance, gênero nobre da Literatura de Cordel, que, hoje em dia, muitos consideram anacrônico.

Josué, não. Tanto no anterior, O coronel avarento, como neste, entrevê-se no autor o leitor. E ele não nega. Credita a sua inserção no universo do cordel à avó, que lia, para ele, o longo e empolgante romance de Minelvino Francisco Silva, João Acaba-Mundo e a Serpente Negra. Se antes do autor vem o leitor, antes do cordelista está o ficcionista. É a partir de sua obra em prosa, ainda pouco conhecida, que Josué vai construindo e consolidando sua carreira de cordelista.

Na obra de Josué, a referência à mitologia grega é também uma constante. Mas ela não é gratuita. Em O Mistério da Pele da Novilha, por sinal, ela se faz notar sutilmente, quando o autor compara o protagonista, Severino, ao desventurado Titono, amante de Éos (a Aurora), premiado com a imortalidade, mas não com a eterna juventude. No personagem principal, ainda é possível se enxergar traços da lenda cristã do judeu errante, o igualmente desventurado Ahasverus (ou Assevero), já levada para o cordel por Severino Borges, Francisco Sales Arêda e Manoel Pereira Sobrinho. Na literatura de cordel, o judeu é identificado como Samuel Belibé (de “Beli-Beth”, o sem-casa).

Josué mistura, ainda, o romance realista, com uma descrição perfeita da vida e dos costumes sertanejos, com o realismo fantástico, sem deixar de ser convincente ou descambar para a inverossimilhança.

Mais não direi para não atrapalhar o arguto leitor. Afinal, como o próprio título entrega, há um mistério a ser desvendado. E um tesouro a ser descoberto.


Marco Haurélio:
Baiano de Riacho de Santana, poeta popular, editor e folclorista. Em cordel, tem uma vintena de títulos editados. É autor, também, dos livros infantis A Lenda do Saci-Pererê e Traquinagens de João Grilo (Paulus); O Príncipe que Via defeito em Tudo (Acatu; pela Editora Nova Alexandria, lançou Lendas do Folclore Capixaba, As Babuchas de Abu Kasem (Conhecimento), A Megera Domada (recriado em cordel a partir do original de William Shakespeare) e O Conde de Monte Cristo (versão poética do romance de Alexandre Dumas. Com base numa recolha feita no sertão baiano, em 2005, organizou as antologias Contos Folclóricos Brasileiros (publicada em 2010 pela Paulus Editora), Contos e Fábulas do Nosso Folclore (Nova Alexandria) e Contos de Fadas Brasileiros. No campo da pesquisa em poesia popular, escreveu Breve História da Literatura de Cordel (Ed. Claridade), que integra a coleção Saber de Tudo.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

O Mistério da Pele da Novilha - Novo livreto em cordel

A Editora Luzeiro lança mais um dos meus livretos em cordel.


“Na noite mais escura, a tempestade traz à porta de João Simões um estranho viajante. Seu alforje esconde uma amarelada pele de novilha. Pela manhã, depois do café, com voz grave olhar perdido no horizonte, o peregrino inicia a história daquela pele e fala da maldição que o persegue há muitos anos. Uma narrativa surpreendente.” Palavras do Professor Aderaldo Luciano Doutorado em Literatura com tese em cordel.




Dessa forma eu começo a minha narrativa:

Bem assim, que me contaram,
O que eu conto e reconto.
Se é verdade, eu não sei!
Pois quem conta, aumenta um ponto.
E a tendência da história
É crescer, de conto em conto.

Numa noite muito escura,
Entre raios e trovões,
Um homem bateu à porta
Da casa de João Simões,
Que, apesar da noite alta,
Acolheu-o sem sermões.

Proveu-lhe um bom jantar
Oferecendo-lhe pousada,
Quando foi pela manhã,
Serviu-lhe boa coalhada.
Como bom anfitrião,
Não mostrou cara amarrada!

...

Editora Luzeiro Ltda

Rua Dr. Nogueira Martins, 538 Saude
São Paulo-SP
CEP 04143-020
Tel/Fax: (11) 5585-1800/5589-4342
http://www.editoraluzeiro.com.br/
vendas@editoraluzeiro.com.br

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Josué De Nazaré

A FAZENDA NAZARÉ É DO POVO
Marabá Paulista

Em 29 de fevereiro de 2000 deu-se início o processo de n.º 137/2000 da 1.ª Vara Judicial da Comarca de Presidente Venceslau.
Neste processo, a Fazenda Pública do Estado de São Paulo requereu que fossem declaradas devolutas as terras da “Fazenda Nazaré” no município de Marabá Paulista. A ação foi ajuizada em face de Agripino de Oliveira Lima e seus familiares, posto serem eles, aqueles que afirmavam serem “donos” da Nazaré.Em 30 de abril de 2002, em julgamento de primeira instância, foi reconhecido que as terras da Fazenda Nazaré eram devolutas, pertencentes ao Estado. Os Lima apelaram da sentença e perderam no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Nesta nova decisão foi reconhecida a ocorrência de má-fé por parte dos Lima na “aquisição” das terras em questão.Novos recursos foram interpostos da decisão do TJ. Um para o STJ e outro para o STF. O Tribunal de Justiça não admitiu nenhum deles. Inconformados, interpuseram novos recursos. O STJ, por decisão unânime da sua terceira turma, não conheceu o recurso especial. O STF, em sua composição plena e por unanimidade, em decisão tirada em junho de 2009, negou porvimento ao recurso dos Lima. Em 10 de agosto de 2009 transitou em julgado a sentença que reconheceu as terras como devolutas. Foram quase 10 anos de luta nos tribunais.Neste meio tempo, centenas de famílias, milhares de pessoas, aguardaram esta decisão em seus barracos de lona preta ao longo das rodovias. Foram diversas as ocupações. Balas foram disparadas. E agora, o trânsito em julgado de tão esperada sentença. Resta a pergunta: quem realmente invadiu aquelas terras?E a luta continua. Em março de 2010, deu-se início aos trabalhos do processo de demarcação da área. É bem possível que aqueles que invadiram a Nazaré a décadas atrás ainda tentem recursos e inventem algum expediente jurídico para protelar a imissão da posse pelo estado. Mas a coisa agora mudou de figura, a Nazaré é terra devoluta, é do Estado, é do povo.E não foi só o Estado que ganhou com essa ação. É que a maior parte da fazenda Nazaré repousa em terras municipais, portanto, o povo de Marabá Paulista fica mais rico. Resta saber o que a municipalidade vai fazer com tanta terra a sua disposição. Por tudo isto a luta do MST deve ser louvada. Estas bravas pessoas que sempre se puseram a frente de jagunços, intempéries, despejos, enfim, efetivamente anteciparam o que o Judiciário levou dez anos para concluir.O Centro de Direitos Humanos “Evandro Lins e Silva” manifesta seu apoio a todos aqueles que lutam pela reforma agrária, pelo acesso a terra, pelo fim do latifúndio.Fonte: Centro de Direitos Humanos “Evandro Lins e Silva”
Artigo recebido por e-mail. Postado por Claudemir Mazucheli no Blog "GEOGRAFIA E LUTA"
http://profcmazucheli.blogspot.com/2010/04/fazenda-nazare-e-do-povo.html

Eu nasci nessa fazenda. Em 1950, Marabá Paulista se chamava Areia Dourada. No meu registro de nascimento consta Areia Dourada, atualmente, Marabá Paulista. O meu primeiro romance tem o título de "O mistério da bruxa de Areia Dourada" .Nasci em uma casinha com paredes de troncos partidos de coqueiro e barro, na Fazenda Nazaré. O que vai acontecer com essa fazenda? Sera dividida e deixará de existir? Josué De Nazaré

Minha lista de blogs preferidos