sábado, 14 de novembro de 2009

Caravana do Cordel homenageia o Dia do Cordelista

Xilogravura de Arievaldo

Caravana do Cordel é um projeto coletivo, construído por poetas populares nordestinos radicados em São Paulo. O grupo, formado por poetas, artistas plásticos, músicos e pesquisadores, vem alcançando grande sucesso em suas reuniões mensais no Espaço Cineclubista da Rua Augusta e nos eventos realizados em São Paulo e no entorno da capital, mantendo viva a tradição itinerante da poesia popular.

No dia 19 de novembro, que marca o 144º aniversário de nascimento de Leandro Gomes de Barros, maior expoente do gênero, a Caravana do Cordel preparou várias atividades para homenagear o patriarca da poesia popular brasileira. Dentre as atividades, uma mesa redonda discute a atual realidade da literatura de cordel, as vitórias e os embates a serem travados num campo em que o preconceito e o desconhecimento ainda são enormes. Outras atividades mostrarão a riqueza temática da literatura de cordel, confundida por leigos com a poesia matuta, ramo distinto da poesia popular. Haverá, também, exposições de gravuras e a já tradicional feira de cordel apoiada pela Editora Luzeiro.

Programação

19h - Mesa redonda: Cordel: conquistas e desafios:
Debatedores: Moreira de Acopiara e Marco Haurélio - Mediador: Pedro Monteiro

20h - Palestra: Leandro Gomes de Barros: desbravador do Cordel, ministrada por Aderaldo Luciano, Doutor em Letras pela UFRJ.

21h – Sarau poético com membros e apoiadores da Caravana do Cordel

21:30 h – Apresentações musicais de Cacá Lopes, Costa Senna, Jackson Ricarte, Luiz Wilson e convidados.

Serviço

O quê? Dia do Cordelista: homenagem a Leandro Gomes de Barros

Quando? Dia 19, às 19h

Onde? 282 - São Paulo SP - Fone: 3350-6000

Entrada franca

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Diário Crítico

Cutucando a onça com vara curta
Outro dia, eu conversava com o Josué Gonçalves de Araújo, e ele me disse achar que, a seu ver, o Brasil nunca esteve tão bem, em toda a sua história, quanto agora, com uma economia em franco crescimento. Eu, então, me limitei a lhe perguntar como pode achar isso, se o País, com uma população de cerca de 200 milhões de habitantes, tem cerca de 70 milhões de pessoas (ou seja, cerca de 30%) dependentes do Bolsa família, e apenas cerca de 25 milhões de trabalhadores com carteira assinada (ou seja, cerca de 12%).
Foi só isso o que eu coloquei, mas ele não deixou por menos e me acusou de não gostar do Lula, por isso vejo apenas o que acho ruim no seu governo. Respondi-lhe que não acho nada, porque, achar ou não achar, não tem a menor importância.
- Lula pouco me importa, como pouco me importaram todos SOS outros governantes anteriores, desde Getúlio Vargas. Importa-me o sistema vigente no Brasil, que é o feudal, desde as capitanias hereditárias. Para se dar bem, é preciso que se seja amigo do rei, e eu nunca fui amigo de rei nenhum. Por isso, nunca fui embora para Pasárgada. Em minha vida toda segui aquilo que dizem do espanhol: Hay gobierno? Yo soy contra.
- Por isso, age como um amigo meu, que apoiou os militares e é malufista até hoje: só recorta jornal dos jornais os dados negativos do governo Lula, nunca os positivos – ouvi como contra-argumento.
- O senhor me respeita! Não me conhece o suficiente, para fazer esse tipo de comparação. Uma coisa que aprendi na vida é que só a verdade pode nos libertar, e isso foi o que sempre fiz e não vou deixar de fazer. Se a população do Brasil equivale a 3% da população mundial e o seu PIB não chega a 0,5% do PIB mundial, como pode a economia do País ser tão robusta, como dizem que é? A capacidade de pensar em termos lógicos e concretos é essencial para um escrito, e você, em sua predisposição mental para aceitar determinadas opiniões alheias sem analisá-las, está impedindo ou dificultando que chegue às conclusões as mais simples. Está precisando aprender a raciocinar melhor com a própria cabeça.
Eu, que acreditei que estava acrescentando mais um ex-amigo à longa lista daqueles que não agüentaram as minhas impertinências, tive a grande surpresa de ouvir Josué Gonçalves de Araújo me dizer:
- Acho que você tem razão. Por que não escreve uma coluna no meu blog na internet explicando tudo isso? Tem muito a ensinar a quem quer aprender. E eu quero aprender.
Essa é a razão deste Diário Crítico, no qual tentarei excogitar erros e ignorâncias dos quais não me excluo.
*
Escritor e Editor: Benedicto Luz e Silva
1º lugar (Medalha de Ouro) no segundo concurso para a outorga do
“PRÊMIO NACIONAL CLUBE DO LIVRO”
Com o livro: “Um corpo na chuva” – Romance com 150 Pg.
Editora Clube do Livro Ltda – 1972.

***

A honestidade é inviável as regras básicas da política
Por: Josué Gonçalves de Araújo

“Descobri o escritor Benedicto Luz e Silva recolhido em sua sala no Edifício da Paz, no centro de São Paulo. Ele passa as manhas em sua sala, só, com os milhares de livros. Quando soube de um escritor solitário, naquele edifício, exigi que me levassem até ele. Deixaram-me dentro da sua sala, na sua presença e eu me apresentei como um discípulo procurando um mestre. Assim começou o nosso relacionamento literário. Quando eu falo besteira, o mestre explode, mas quando percebe que eu não o deixarei, então, tudo fica bem.”

Cutuquei a onça...

Aliás, eu descobri, muito cedo na vida, que se você quer ser um sábio, deve andar com uma “varinha curta” pendurada no pescoço. Não tem nada a ver com as fadas, os bruxos, regência de orquestra, não, a varinha é para você, jamais perder uma oportunidade de cutucar, toda e qualquer onça que passar a sua frente. É assim que um dia, talvez, você se torne um tomador de onças. Foi Sócrates quem disse: “Conheça a ti próprio e estarás montado em um tigre”, eu vos digo, conheça a ti mesmo, cutucando onças.
Relativamente, às afirmações feitas por mim, que tanto sensibilizou o intelecto do meu mestre de literatura, para a questão da economia do Brasil, eu assumo: é verdade. Eu disse mesmo, mas é assim que cutuco as onças. Não resisto a proximidade de uma onça sem dar-lhe uma cutucada. Não ponho a mão no fogo por nem um político. Não é que seja impossível, a honestidade para um ou outro político, na verdade, a honestidade é inviável as regras básicas da política. Um político honesto não esquenta o assento da sua cadeira. As minhas afirmações foram oriundas de um pequeno fato real; No exercício da minha função em uma Administradora de imóveis, eu portava uma relação de imóveis para locação, com 300 imóveis que mensalmente, baixavam-se 10% e lançavam-se novos imóveis, na mesma proporção. Isso se manteve inalterado por mais de 8 anos e, nos últimos 2 anos, essa lista diminuiu. Mensalmente e gradativamente, o ritmo das locações foi acelerado e, atualmente, não tenho mais nem uma lista de imóveis vagos. Será que aquelas pessoas que moravam com a sogra, com os pais, com os cunhados ou nas ruas, passaram a ter maior ganho, a ponto de viabilizar a locação de um imóvel? O índice das vendas no ramo imobiliário, também, foi maior. Nada aconteceu no meu bolso, mais posso afirmar com absoluta convicção que lá fora, mais pessoas, nos últimos dois anos se deram melhor, que nos meus improdutivos oito anos, anteriores. As pessoas podem mudar de partido político ou podem ser desmascarados quando usam máscaras, mas a sua verdadeira ideologia é imutável.

domingo, 8 de novembro de 2009

A Caravana do Cordel – A fênix da literatura popular

Nos anos 60, me lembro muito bem, quando em plena colheita de algodão, os bóias-frias cantavam as músicas sertanejas para espantar o desânimo, infligido pelo calor do sol a pino. Eu era um deles! Às vezes dava uma pausa para retirar um espinho de carrapicho que se infiltrava na minha coxa. Um sol arretado de quente fazia os espinhos saltarem sobre a pele dos pobres bóias-frias. Alguém cantava uma musica de Tonico e Tinoco e outro alguém, algumas ruas de algodão mais adiante, fazia a segunda voz. Eu achava lindo e triste. Lindo porque gostava de uma boa música e triste porque começava a sonha em como evadir-me daquela maldita vida agrária. Ao crepúsculo, todos subiam na carroceria de algum caminhão e retornava a cidade. Uma cidade de uns 16.000 habitantes no Pontal do Paranapanema. Na cidade, a noite, os adolescentes, como eu na época, se reuniam no jardim. A onda era jovem guarda. Musicas caipira, sertaneja ou coisa do gênero não era, nem comentada entre os jovens, a não ser com ares de deboches. Tínhamos vergonha de cantar entre nós, qualquer música sertaneja. Isso não quer dizer que ela não estivesse enraizada em nós. Mas quando surgiu o grupo dos “amigos da música popular sertaneja” – Chitãozinho e Chororó, Leandro e Leonardo e outros, a musica sertaneja caiu, também, nas graças da juventude. A música sertaneja renasceu com toda força e assumiu o seu verdadeiro lugar no cenário musical brasileiro. Os músicos da nova geração sertaneja ficaram ricos e a velha guarda recebeu as honras e o reconhecimento moral. Vejam o caso da famosa dupla sertaneja, Tonico e Tinoco, que envelheceram empobrecidos.
E o Cordel? Pois é! Naquele tempo da minha infância, quase adolescente, minha avó não se cansava de me contar as histórias dos cordéis, tais como: João Acaba mundo e a Serpente negra, O Pavão Misterioso, os três cavalos encantados e outros. O meu vizinho, ex-professor, que bebia muito, em razão de ter sido corneado pela esposa, segundo ele mesmo, vendia livretos de cordéis pendurados em barbantes, no centro da pequena cidade, ainda sem asfalto, sem energia elétrica e sem televisão. O tempo passou e eu me tornei um paulistano na luta pela sobrevivência e o cordel ficou, engavetado dentro do meu ser.
Trabalhando pelas ruas da Capital, eu encontrava os livretos de cordéis em uma única banca no largo do Paissandu. Uma vez ou outra, comprava um livreto para reler e relembrar da minha avó e do pobre corno que nos momentos de sobriedade, viajava nos versos do cordel.
Escrevi e editei dois livros: um romance de 187 páginas que me rendeu algumas palestras em academias de escolas municipais e um livro de contos e crônicas. Foi então que, de repente, surgiu uma pergunta na minha cabeça: “Por que não escreve um livreto de Cordel?” Por quê? Histórias eu já havia criado em prosas e muitas já tinham a cara dos cordéis. Escrevi o meu primeiro cordel. Na mesma semana, nas proximidades da estação metro Jabaquara, eu entro em um sebo e dou de cara com muitos livretos de cordéis. Quem estava batendo papo por acaso com o dono do sebo? O proprietário da editora Luzeiro que comprou a editora Prelúdio que editava os cordéis da minha infância. A conversa foi sem futuro ou quase porque eu pensei em desistir do assunto – editar livretos de cordéis. Mas a cada dia eu percebi a presença de livretos se espalhando pela cidade. Decidi aceitar o convite do editor e visitei a editora Luzeiro, onde fui muito bem recebido. Vi com muita alegria os títulos dos velhos livretos da minha infância na sala de museu da editora. Conclusão: Vai sair o meu primeiro livreto.
Descobri a Caravana do Cordel. Um movimento que começou com sete participantes e vem crescendo e crescendo... Tenho participado de alguns eventos da literatura popular, patrocinado por esse movimento e confesso, estou completamente apaixonado pelo cordel. Cheguei à minha casa um dia, com o cordel na cabeça, ansioso pela demora da edição do meu livreto e sentei-me a mesa:
“Minha esposa querida
Eu acabo de chegar
E estou com muita fome,
Você já fez o jantar?
Como a mulher não estava de bom humor, completou a minha estrofe:
Meu pretenso Cordelista,
Seja mais um realista,
E me ajude a cozinhar.

Na verdade, eu penso que da mesma forma como a musica sertaneja renasceu com toda a força e, assumiu as primeiras posições nas paradas de sucesso, assim pode estar acontecendo com o Cordel no Brasil. E o Cordel envolve, além da “Literatura popular”, a música dos violeiros. Os estudantes das escolas e universidades, cada vez mais, têm demonstrado interesse pela literatura de Cordel. Farei tudo para ser um surfista Cordelista e pegar carona na crista dessa onda.



segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Salomé Parísio - Sonhos de uma vedete

A vedete, cantora e atriz Salomé Parísio, pseudônimo de Dulce de Jesus Oliveira, nasceu em Pernambuco, na cidade de Bonito, em 3 de junho de 1921.É de uma família com oito irmãos, três homens e cinco mulheres, todos cantores. Começou a cantar na Igreja, foi “filha de Maria”, e quase “freira”.Em Recife, PE, começou a carreira na Rádio Club de Pernambuco, onde foi vencedora do programa de calouros. Depois do sucesso em Recife, viajou para Bahia, onde permaneceu por cinco anos e onde nasceu seu único filho. Lá, recebeu um convite para trabalhar no Rio de Janeiro.Gianca de Garcia, diretor artístico do Cassino da Urca, resolveu levar Salomé Parísio ao Teatro de Revista, com todo o elenco da Urca. Mandou buscá-la em Salvador para estrelar a peça “Um Milhão de Mulheres”, estrondoso sucesso de 1947. Naquele teatro, fizeram três revistas.Depois, foi para São Paulo e lá ficou. Trabalhou no Teatro Santana e fez filmes com Mazzaropi. Fez enorme sucesso como estrela-atriz-cantora na revista Prato do Dia, onde dividia o palco com o comediante Colé e Virgínia Lane. O Brasil estava se tornado pequeno para ela. Em 1950, Salomé Parísio excursionou por Portugal e abalou o Cassino do Estoril. Em 1952, de novo o país se dobrou a ela com "Pra Lá de Boa", dirigido por Lulu de Barros. Em 1955, as pernas de Salomé Parísio renderam páginas na Argentina, onde fez longa e milionária excursão. Depois, Salomé Parísio foi para os Estados Unidos (Nova York), onde recebeu um convite para substituir Carmem Miranda. Mas, teve que voltou para o Brasil porque sua mãe ficou muito doente. Salomé largou tudo para cuidar da mãe.De volta, fixou-se em São Paulo, fazendo shows, trabalhando nas rádios Tupi, Bandeirantes, Record e Nacional. Chegou a Nova Iorque em 1960, em grande estilo, no Rádio City Music Hall, dirigida por Carlos Machado. De volta ao Brasil em 1962, estrelou "Um Violinista no Telhado", onde cantou as canções judias. Fez programas de rádio, TV, novelas, outras revistas picantes até 1980, quando recebeu um convite do Antunes Filho para fazer a peça “Macunaíma”. Com o espetáculo viajou por todo o Brasil. Depois, o elenco partiu para o Festival Mundial do Teatro em Nancy, Paris, onde alcançaram o primeiro lugar.Com "Macunaíma", excursionou por doze países. No teatro, Salomé Parísio fez “Violinista no Telhado”, “Dilúvio”, dentre outras peças. Na televisão, atuou na novela “Sangue do meu Sangue”, de Vicente Sesso.Em 1981, uma nova geração a descobriu no histórico musical "Aí vem o Dilúvio". Os freqüentadores das feiras livres e dos supermercados no bairro do Centro, arredores da Igreja da Santa Cecília, em São Paulo, sempre se perguntam quem é aquela exótica senhora sorridente, falante e cheia de bom humor que circula com invejáveis mais de 80 anos e pernas ainda bonitas. Os anos passaram, Salomé, continua trabalhando: dá aulas de canto e regularmente canta a Ave Maria de Gunot em casamentos com sua voz ainda maravilhosa. Vive sozinha em um confortável apartamento no centro da cidade. Seu último show foi uma homenagem 2003 no Teatro Itália, a "Sonhos de Vedete". É a última vedete viva pioneira do teatro de revista brasileiro, ainda em atividade. Todas as outras sobreviventes estão há muito aposentadas: Virginia Lane, Maria Quitéria, Dorinha Duval, Lady Hilda, dentre outras. Salomé diz que, "por ter feito pouca televisão após 1970 sou pouco popular hoje. Preferi viajar o mundo. Nem tudo são flores e tenho muita saudade de meu único filho que morreu jovem", conta, sem entrar em detalhes. Salomé Parísio tem cinco netos e quatro bisnetos.
Fontes: Site Ovadia Saadia; Youtube. SESC.

Recentemente, conheci Dulce (Salomé Parísio), em sua residência.

Trabalho nas ruas de São Paulo a serviço de uma Administradora de Imóveis, no palco de uma das maiores cidades do planeta. Sempre nas ruas, felizmente, visitando prédios e aptos vazios. Às vezes, no Centro, no bairro dos jardins ou na periferia. Hoje estive próximo ao largo do Arouche, na rua Frederico Steidel. Uma pequena rua, dessas que não se deve passar pelas calçadas depois do ocaso. Um só quarteirão, mas ali, se concentra grupos de apreciadores de drogas, catadores de lixos, moradores de ruas, mas também, encontrei o Zé do Caixão que, segundo me informaram, mora em um apartamento de um dos pequenos prédios da rua. A minha vistoria era num apto de um desses minúsculos prédios.
No final da vistoria, o zelador me pediu para subir ao apto de uma senhora, que estava interessada na locação. Após 11 anos, o proprietário pediu para ela, uma senhora de 84 anos, esvaziar o apto. “Oh! Que coisa triste! Vou falar com ela, sim.” Imediatamente, subi e adentrei ao apto da senhora. Ela não estava preparada para receber visitas. Havia um corte sobre o seu lábio superior, mas os olhos pareciam dois espelhos da eternidade. As suas pernas de mais de oito décadas, conservavam um contorno especial, tanto que provocou em mim, um belo pensamento – “essas pernas devem ter sido muito belas”.
Conversa vai e conversa vem, e ela me diz que desejava locar o apto no térreo, para continuar a morar no mesmo prédio. Afinal, foram 11 anos naquela região. “Eu sou atriz e cantora! Salomé, você não se lembrar de mim?”
Fiquei sem graça, pois não me lembrava de nada relacionado a ela. Pensei que ela fosse maluca, mas era muito simpática e muito consciente do que falava. Gostei dela, assim de graça. Talvez pelo jeito dela, ou pela alegria que em certos momentos, eu apreciava nas janelas da sua alma. Ela não parecia um ser comum. Dei-lhe as instruções para tentar viabilizar a locação do apto vazio, e me despedi.
Em casa eu fui direto para o deus Google. Meu Deus! Ela era real! Muitas fotos antigas, reportagens que mencionavam a beleza das suas pernas, quando encantou a argentina. “Eu tinha razão quanto às belas pernas”. Li tudo que havia e assisti a vídeos e fiquei chocado. Aquela mulher não devia estar tentando locar um simples apto, e ainda mais, naquela rua. Deus dá uma vocação - um talento - para uma pessoa brilhar como um cometa de Halley, e então, essa pessoa usa o poder do seu talento para sair do anonimato, salvar a sua família, encantar as pessoas, satisfazer o prazer da sua própria alma e, no final, o seguro da velhice esta vencido. Não há garantia de uma velhice digna para quem viveu pelas leis do seu coração e da sua alma. Para quem usou o coração no lugar do cérebro. Quem nasce com talentos artísticos, esta condenado a ser um escravo do seu próprio talento. Para essas pessoas marcadas pela alma, está fora de cogitação, a luta pela sobrevivência. Pelo menos, seguindo uma das profissões normais do sistema financeiro que garanto, sucesso e realizações rendosas. A pessoa é levada por uma força interna a seguir a sua vocação artística: um caminho árduo e sem garantia de sucesso. Às vezes, o sucesso é pleno e a pessoa pode ser vista como um semideus, às vezes brilha muito e cai no esquecimento, mas na maioria, não se chega a lugar algum e passa-se toda a vida. Uma vida toda correndo atrás de exteriorizar algo que jamais encontra um espaço para atuar.
Quando um filho nasce com inclinações, definidas, para a construção de prédios, a sua vida é uma estrada reta, limpa e sem barreira. Pode-se afirmar com absoluta convicção, e de antemão: “Ele será um engenheiro.” É só seguir todas as etapas já definidas e conhecidas até ser diplomado. Mas o seu filho não gosta de nada que não tenha um palco! O que você pode garantir para ele? O talento será tão especial que o levará ao sucesso de qualquer forma? Na verdade, ter algum talento artístico, é a certeza de caminhar, tateando, sobre uma estrada escura, para um futuro incerto.

Voltei ao lar de Salomé.

Duas semanas depois, voltei ao apto de Dulce para informar-lhe que o tal apto vazio foi alugado; que eu lamentava por ela não ter conseguido locá-lo. Ela abriu as portas com a mesma simpatia de antes. Disse-lhe, que sabia quase tudo sobre ela, porque pesquisei na internet. Ela reagiu com surpresa - Internet? Sim, minha querida! Você esta na internet; a sua vida esta na internet!
Dulce nunca navegou na internet e não possuía computador. Dessa vez a conversa foi mais longa e interessante. Ela me contou muitas coisas, mas só ficou triste quando contou da última vez que pisou no palco.
Ela ainda trabalhava, apesar dos seus 84 anos, mas havia sofrido um acidente onde cortou o lábio superior, impedindo-a de cantar. Faria uma cirurgia de reparação para breve. Dulce se acomodou no velho sofá e começou a falar: “Eu fui ao restaurante para apresentar a minha peça: “Sonho de uma vedete”. Um teatro adaptado num espaço reservado de um restaurante do bairro Santa Cecília. Levei as minhas roupas de trabalho e encontrei as companheiras de palco. Elas estavam sem ânimo porque havia 8 pessoas que havia comprado os convites. “Vamos apresentar para as oito pessoas” – disse as minhas companheiras - mas elas convenceram a responsável pelo espaço, a cancelar o espetáculo. Eu já estava vestida, fui a frente e expliquei para aquelas pessoas, que voltassem com os seus convites no próximo espetáculo, mas que, antes, eu cantaria uma música para eles. O pianista deu a introdução e eu comecei a cantar. Pensei na minha vida passada, como os portugueses ficaram encantados comigo, os argentinos, e o público de tantos países... Lá em Pernambuco quando perdi o noivo, porque fui cantar na radio e ganhei o concurso. Como depois daquele concurso tudo mudou e eu consegui ajudar a minha família. Quanto glamour!
Agora, depois de oito décadas da minha vida, eu canto para oito pessoas. Vi de relance que as minhas companheiras passavam pelos fundos em retirada, e a voz fraquejou. Meu Deus! Senti que iria desmoronar ali no palco, no exato momento em que percebi na parede um quadro de um santo. As lágrimas insistiam em sair e os olhos do santo pareciam brilhar. Aproximei da parede e firmei as duas mãos sobre o quadro até terminar de cantar. As lágrimas rolaram de vez, sobre o aplauso das oito pessoas. Aos meus ouvidos, soaram como aplausos de uma multidão.
Salomé me contou tudo isso, ou foi o que eu entendi e guardei na memória, e não resistindo as lágrimas, mais uma vez. Ela foi ao quarto e trouxe o seu “DVD – Documentário”, para presentear-me. Abraçamos fortemente, levados pelo clima do instante. Eu a deixei com as suas lembranças e os seus troféus, que decoravam uma mesa no canto da sala.

domingo, 1 de novembro de 2009

Dia 19 é o dia do Cordel

O dia 19 de novembro é o dia do Cordel. O grupo de Cordelista que forma a “Caravana do Cordel” realizará eventos de comemoração a literatura de Cordel nesse mês. Sábado aconteceu o encerramento da festa do segundo salão da Literatura de Cordel. “É um mundo de cordel para todo mundo”. Frase dos cordelistas da Caravana do Cordel.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

II SALÃO DA LITERATURA DE CORDEL

segunda-feira, 26 de outubro de 2009
















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Na Biblioteca Moteiro Lobato de Guarulhos

Dia 29 - quinta-feira – Horário das 10h às 22h.10h

10h - Abertura com Varneci Nascimento e BML
Exposição de xilogravura, Feira da Literatura de Cordel e Venda de Cordel.
13h às 14h - Pausa para almoço.
15h - Palestra com Varneci Nascimento “O Gracejo na Literatura de Cordel” (abertura).
19h - Palestra com Varneci Nascimento “O Gracejo na Literatura de Cordel” (abertura).
20h – Performance cênica: Evânio Teles (Brincante Andarilho).
21h - A Caravana do Cordel.
22h - Encerramento.
Dia 30 - Sexta-feira - Horário das 10h às 22h.10h
10h- Exposição de xilogravura, Feira da Literatura de Cordel e Venda de cordéis.
13h às 14h - Pausa para almoço.
14h às 15h - Exibição do Documentário “Somos todos Sacis”
15h - Palestra com João Gomes de Sá “O Cordel na Sala de Aula”.
19h - Música com Aldy Carvalho.
20h - Música e causos com Eufra Modesto.

Dia 31- Sábado – Horário das 10h às 22h.10h

10h- Exposição de xilogravura, Feira da Literatura de Cordel e Venda de Cordéis.
13h às 14h - Pausa para almoço.
14h - Oficina de xilogravura com Adriano Gambim e Sérgio Ferreira (Espaço do Escritor).
15h - Palestra com Marco Haurélio “Contos Folclóricos”.
16h - Lançamento do Livro “A Lenda do Saci Pererê em Cordel”, (editora Paulus) de Marco Haurélio.
16h30 - Oficina “O Fazer Cordel”, com Moreira de Acopiara.
19h - Música: Jackson Ricarte
Cacá Lopes
Zé de Zilda
Poesia: Nando Poeta
Pedro Monteiro
Castelo Hansen
Moreira de Acopiara
Varneci Nascimento
Marco Haurélio
Cícero Pedro de Assis
Cleusa Santo
22h – Encerramento do Salão da Literatura de Cordel.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A necessidade faz o ladrão ou a ocasião?



Ocasião
[Do lat. occasione.] Substantivo feminino. “Oportunidade para a realização de algo; conjuntura favorável ou oportuna de tempo e lugar para que se dê ou se realize algo: ocasião de agir.”

Necessidade
[Do lat. necessitate.] Substantivo feminino. "Aquilo que é inevitável, fatal. Aquilo que constrange, compele ou obriga de modo absoluto: Exemplo:
“Viu-se ante a necessidade de ceder" (defecar).

Se é verdade que a necessidade faz o ladrão, alguém honesto que se vendo diante de uma situação desesperadora, é capaz de passar por cima dos seus princípios e cometer um roubo, também, é verdade que a necessidade faz a ocasião.

Primeiro surge à necessidade, no caso, aquela dor de barriga, oriunda de distúrbios intestinais – culpa do peito de peru do boteco - e começa a pressão da natureza física. O tsunami quer explodir pela minúscula boca do vulcão; a pessoa começa a suar, a batidas cardíacas perdem o equilíbrio, e as pisadas no asfalto são suaves, como se pisassem em casca de ovo. Claro! Quem vai se arriscar a pisar forte e correr o risco de sentir as pernas molhadas pela onda rebelde, quando a rolha saltar da boca do monstro zangado? Um banheiro público, sujo e sem papel higiênico ou não, esta há anos luz de distância. Aliás! Qualquer distância é extensa nesse momento. Você olha para todos os lados procurando um milagre. Que sinuca de bico! O monstro ronca agressivamente dentro de você. São explosões e deslocamentos internos. Tudo começa a girar, porque você sente medo. Medo não! Você se apavora. O que será que vai acontecer? Meu Deus! Tire-me dessa enrascada. Eu farei qualquer coisa; serei bom com os mendigos; com a minha sogra; com o meu vizinho do som alto... Meu Deus!
Não tem solução normal. A sua necessidade é imperativa categórica. É mais forte que você e pode romper as resistências das suas pregas naturais, antes que você pisque os olhos. Pode romper? Vai romper. Privação dos sentidos. As vistas escurecem e quando a luz retorna, a ocasião se apresenta, bem a sua frente. Deus atendeu as suas preces e criou a ocasião - "lugar para que se dê ou realize algo". Você não tem tempo para pensar ou recusar e... Bummmmm!!!!!!.
Merda para o mundo todo; para a sociedade; para os chatos e as chatas, para toda a humanidade. Esse é o maior de todos os alívios existentes no cosmo. É o céu!

Eu vi o instante fatal em que o infeliz mandava merda para o mundo. Eu não pude negar um clic no meu celular. Precisava eternizar aquele momento. Bem ali, no centro de São Paulo, na esquina da Rua Santo Antonio, a cem passos da câmara dos vereadores. A merda foi para eles também, para aqueles que recebem verbas indevidas de associações, empresas ou lobistas piratas. Tomara que a força do tsunami sopre esses detritos fétidos até as cabeças dos malfazejos políticos do congresso nacional, lá em Brasília e, também, sobre os seus respectivos lobistas. Se eles não existissem, o povo estaria no céu. Bem mais aliviados.